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República Independente do Alto de Paço de Arcos

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

República Independente do Alto de Paço de Arcos

06
Out18

3ª Temporada - Open Batata (18)


Comandante Guélas

 

Futebol.jpg

 

 

18

 

O nome era sinónimo de honestidade, dedicação, confiança, mas acima de tudo um modelo a seguir pela juventude paçoarcoense. Porque o estilo de vida era superior aos rendimentos, o adolescente Pierre Pomme-de-Terre arranjava sempre maneira de descobrir novas minas de ouro, que não passavam só pelas libras lá de casa ou pela roulote do Mocho.  Um dia resolveu organizar um Torneio de Futebol na Escola Náutica, tendo convencido o anãozinho de suspensórios, chefe máximo do Futebol Clube de Paço de Arcos (com sede junto ao “Bar Cu à Vela”) equipado com dois matraquilhos carunchosos com alguns jogadores decapitados, a emprestar o seu prestigiado nome ao “Open Batata”. A reunião que serviu para desviar as inscrições obrigatórias, teve lugar no gabinete do presidente, que também servia de urinol para os sócios, mas que foi interdito enquanto durasse a combinação da golpada. O Pierre Pomme-de-Terre estava com pressa, as férias no Algarve aproximavam-se e ele queria ir para o hotel “O Golfinho” em Lagos, do qual iria sair sem pagar, e com a conta em nome de outro, como era tradição. Quando as inscrições abriram, as vagas esgotaram-se rapidamente. Nesse dia a reunião dos responsáveis do “Open Batata” foi no “Gambrinus”, pois a direção considerava ser inapropriado para o bom-nome do clube interditar de novo o urinol aos sócios. No dia de abertura o adjunto Pierre Pomme-de-Terre tinha uma surpresa para os participantes: campo havia, bola também, mas tinham de levar as balizas, que ele não se importava de alugar, e estavam guardadas atrás do Cine-Teatro, para que o guarda do ringue da Avenida não as encontrasse. Cada equipa levava a sua baliza e tinha de entregá-la no final do jogo. Para segurança do clube, tudo sempre pelo clube, eram obrigados a deixar uma caução no valor equivalente a duas balizas novas, que ficava à guarda do tesoureiro, o adjunto do anãozinho de suspensórios. O primeiro encontro foi entre duas das equipas candidatas ao troféu, que ninguém sabia qual era, uma vez que o responsável, o senhor Pierre Pomme-de-Terre, se encontrava em viagem de “trabalho” pelo Algarve. De um lado do campo estavam os “Benfiquistas”, cujo nome já dava indicações acerca do seu objetivo desportivo, e do outro os “Burrinhos da Pradaria”, estranho nome para uma equipa candidata à vitória final, que tinha como avançado um adolescente loirinho com incalculáveis dioptrias, de nome Mac Macléu Ferreira, um médio que jogava de chinelos e só dava rendimento com uma “sagres” fresquinha nas mãos, chamado Bajoulo, um defesa que parecia ser o mais ajuizado mas era detentor de um nome pouco ecológico, Peidão, um guarda-redes que defendia melhor de costas, o doutor Charlot e por fim um jogador que vinha decidido a marcar nas duas balizas e que o nome dizia tudo, Graise. E o treinador era um nome conhecido no meio da adolescência masculina da vila: Capitão Porão! Quando o árbitro apitou para dar início à partida não podia imaginar que no “Open Batata” só seriam dados três toques, o do Mac que fez um passe tão tenso para o Peidão que este não conseguiu desviar-se a tempo, tendo apanhado com a bola em cheio na testa (segundo se pensa o abanão foi tão forte que a região do córtex pré-frontal saiu do estado de dormência e começou a funcionar normalmente segundo foi comprovado pelos bons resultados a Matemática) e por último o Bajoulo que deu um biqueiro tão grande que a bola ultrapassou não só os limites do campo, mas também a vedação da Escola Náutica, só parando quando despedaçou o pára-brisas de um automobilista que se dirigia em direção a Cascais. Soube-se mais tarde que o esférico levava cravadas algumas unhas do rematador luso-alemão. A debandada foi geral, o senhor presidente do Clube de Futebol de Paço de Arcos foi o primeiro a chegar à sede, apesar de ser coxo e ter alguma dificuldade em subir aos passeios. Esse foi o seu último dia de trabalho, pois apresentou a demissão em frente a um espelho, que foi aceite de imediato e usada como papel higiénico. Quanto ao adjunto, e grande responsável pela magnífica organização, estava naquele momento a gozar umas merecidas férias num hotel de cinco estrelas em Lagos, mas já a convencer o gerente para a realização do “Open Golfinho”.

 

 

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