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República Independente do Alto de Paço de Arcos

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

República Independente do Alto de Paço de Arcos

30
Dez17

2ª Temporada - Educação Guéliana


Comandante Guélas

 

Bigornas e Escoto Aguarela.jpg

 

 

Episódio 6

 

Com a libertação da vila de Paço de Arcos das garras da comunistada, o Comandante Guélas, o Querido Líder, liberalizou a educação da juventude paçoarcoense, que cantava agora sempre o “É Motorista” no início de cada aula, tendo entregue o ministério há única pessoa com formação para tal, o pai da Ínclita Geração, o Chato Louco, o 33 e o Baí, que tinha o apelido de roedor e o hábito de beber meio-gordo branco antes de debitar a matéria:

- Quegues tguês cagcaças, Baptista?

- Sim, faxavor!

- São tguês e tguezentos. Tens Tgocado?

A história de Paço de Arcos é um bordado com muitos começos e sem fim, por isso nas Assembleias Gerais do Clube Desportivo de Paço de Arcos, que começavam sempre com demonstrações de mortais executados pelo Pequeno Rato, o equivalente ao Pequeno Saul de Portugal, cada membro da mesa tinha à sua frente uma garrafa de Água do Luso (Ph 5,7 ácido), todos? Todos, não! A do Professor Coelho era Vidago (Ph 9,5 alcalina), mas de cor amarela e com um Ph negativo, e um cheiro a bagaço rançoso. E foi por ter um cheiro característico que a escola do Professor Coelho, por cima da Dáni, foi a responsável por uma praga de engenheiros: Tubarão, Balatuca. Grilo, Ratinho Blanco, Pingalim, e muitos outros nomes que deram fama à única Vila – Estado da Península Ibérica. No Quartel dos Bombeiros o formador Álhi transmitia as suas vivências ao Agostinho:

- Sempre que deres de caras com um cadáver, manda as pessoas afastarem-se, para ele poder respirar!

Mas o adolescente bombeiro ainda trazia na alma um borrão existencial, o Bullying diário com que os colegas da escola Dionísio Matias o presentearam durante anos: “Augusto pra cagar / foi um custo / Pra dar um peido grande / foi um instante”.

E foi durante uma necessidade fisiológica imprevista, atrás de uma figueira na Terrugem de Cima, que o  matemático mais famoso da vila, o Ánhuca, deu de caras com os teoremas da incompletude escritos no papel onde iria limpar o cagueiro, e compreendeu que a diferença entre os habitantes do norte e os comunas do sul eram abismais. Se os de cima tivessem estado sujeitos aos mecanismos darwinistas da evolução, que eram demasiado lentos, não tinha havido tempo suficiente desde a origem da Terra para gerar o Janeca.

- Nada na vila de Paço de Arcos acontece por acaso, - defendeu o incendiário nas horas vagas. – A mão do Comandante Guélas é subtil devido à sua majestade.

Tal como o render da guarda real se tornou num espetáculo diário em Londres, em Paço de Arcos havia o Ben-Hur, que todos os dias subia a rua Patrão Lopes em pé na sua carroça, a dar gás ao macho e escoltado por quatro rafeiros que corriam atrás, porque caso não atingisse a red line após a passagem de nível, o rodado de metal que protegia as rodas de madeira patinaria na subida seguinte, e o bólide arriscava-se a fazer marcha atrás involuntária, arrastando o bicho para a linha férrea. Inspirado neste Caio Apuleio Diodes paçoarcoense, o Querido Líder  anunciou uma nova política desportiva para Paço de Arcos, que iria estender-se a outras modalidades, por isso foi num jogo de hóquei entre a seleção de Paço de Arcos e o Resto do Mundo que o Querido Líder deu a boa notícia, rodeado pelos mais famosos atletas das quatro rodas: Bacalhau, Pé de Cabra e Pernas de Alicate.

- Já temos Hino Nacional, o “É Motorista”, e a partir desta data também existe o Hino Olímpico, o “Nizinho da pistoleira, tão pequenino já toca à mangueira”!

Foi lançada a primeira pedra do Clube Académico Torpedo, cujo responsável iria ser o paçoarcoense Sete Escadas, que decretou os “Caetanos” do senhor Américo como Património Imaterial de Paço de Arcos. O primeiro a registar a patente de um jogo original foi o Titó, um ex comuna rendido aos benefícios da liberdade guélanista:

- São dois contra dois, separados por uma rede, e o jogo consiste em atirar uma bola de ténis com frigideiras nas mãos.

- Fica registada a ideia, brevemente o jogo será apresentado no Sanatório de Carcavelos. Neste momento a primazia vai para o Futebol P.A., o jogo mais viril da Costa do Estoril.

Foi aplaudido de pé pelo Esgravulha, filho de Luduvicus Petrus Crespo, jogador de andebol do Clube Desportivo de Paço de Arcos e da Seleção Nacional, e mano da Crespa, também atleta da mesma modalidade.

O dia acabou na Avenida, com o Varetas, o bisneto do Patrão Lopes que nascera com a cara da avó na altura do velório, também conhecido por Velha, a chorar junto à estátua do familiar, abraçado ao primo, o Pilequinhas, emocionado por ter mudado de profissão, de Dr. Pescador Artesanal Encartado para Professor Doutor Ajudante de Mecânico nas Oficinas Municipais

23
Dez17

2ª Temporada - O Electrogumitário


Comandante Guélas

Álhi 4.JPG

 

 

Episódio 5

 

Portugal revolucionário declarava envergonhado o fim dos “3 Fs”, o Comandante Guélas proclamava orgulhoso os “3 Fs paçoarcoenses: Flatos, Focas e Frederico dos Jornais” (Química, Desporto e Comunicação Social)! Paço de Arcos era agora uma Vila – Estado multicultural, onde se destacava, nas Festas do Senhor Daniel Martins de Almeida dos Navegantes, Miss Eunízia, Misionisia para os mais íntimos que, segundo o seu agente Pierre Pomme-de-Terre, se alimentava de coelhos vivos de quinze em quinze dias, e  que nas noites de Lua Cheia se transformava na “Mulher Cabeça”, e nas de Quarto Minguante em “Mulher Serpente”. Portugal fazia concorrência com a Festa de Nossa Senhora de Porto Salvo, e mostrava ao público uma vaca com cinco patas, e duas belezas vindas diretamente das “florestas virgens de Angola”, muito semelhantes às que os paçoarcoenses estavam habituados a ver lá para os lados de Sete Rios, e que décadas depois as suas descendentes iriam ser a imagem de marca da Vadeca. Mas um dia o adolescente Fininho, acompanhado pelo Espalhinha e pelo Fufa, deram de caras com a cobra no Jardim de Paço de Arcos e nunca mais  largaram o reptil, tal era o estado de rebarba:

- Olha a Mulher Serpente, Olha a Mulher Serpente!

Segundo diz a lenda abandonou a vila onde atacava, e apareceu na versão “cinco patas” no país vizinho, dizendo que tinha sido violada por três extraterrestres, daí o membro extra. E enquanto o povo comemorava a vitória sobre os comedores de criancinhas ao pequeno almoço, o Comandante Guélas prometia “transformar Paço de Arcos em comida e paisagem, e reabilitar a “Couraça””, ao mesmo tempo que descerrava o Memorial Cultural de Paço de Arcos, “com o nome de todos aqueles que tornaram a vila grande”, e prometia um futuro Panteão Paçoarcoense, O Electrogumitário (traduzido do charolês para português que significava “grémio literário”)!

“Charlot, Jó Jó Obélix, Nógá, Zézinho Circunferência, Xarotas, 7 Solas, Bagacinho, 7 Camadas, Varetas, 7 Escadas, Pívias, Serapitola, Cuzinho, Zé Boga, Esgravulha, Graise, Broa, Tareco, Peidão, Tubarão, Febras, Focas, Gigante, Vítor Calmeirão, Espirro de Punheta, Sapo, Baleia Azul, Taka Takata, Grilo, Rofe, Velhinho, Pilas, Zé Cagalhão, Bacalhau, Cavalo Malandro, Pé de Cabra, Pipi, Pernas de Alicate, Silva Americano, Ligóia, Chato Louco, Titi Man, Jorge Tremelias, Baí, 33,  Balatuca, Bizóito, Baiona, Búzio, Bolinhas, Ánhuca, Barlatotas, Alvarinho, Labumba, Marques Capitão, General Bidon, James Bomba, Octanas, Pinga Azeite, Menino Artur, Alfredo Carinhas, Ferramenta, Pitinha, Manel Ceguinho, Chora na Penca, Calhéu, Fritz Moca, Vítor Enfraquecido, Piquinhas, Boca Negra, Balacó, Chico Mata Cães, Raigta Aganhe, Breque Te Afasta, Fufa, Henrique da Rebelva, Pápa Borrachas, Casal Garcia, Pontas, Carinha da Avó, Caretas, Vaca Prenhe, Pirolito,  Anilhas Carro Elétrico, Catatau, Xarotas, Dic, Choné, Álhi, Bil, Biblot, Jaquim Jaquim, Espalha, Pica, Ginja, Girino, Volkswagen, Zé Maria Pincél, Caferial, Coquicha, Varetas (ou Velha ou Vilas), Siririco, Jim Boy 1, Jim Boy 2, Mocho, Bacáus, Anita Carapita Carapau Sardinha Frita, Vaginas, Júlio Caguiné, Caguetas, Ben-Hur, Olívia Palito, Sóni, Manelito do Estrume, Lucinda Careca, Sagui, Proveta, Pilas, Manel Anarca, Nhac, Alpedrinha, Trambolho, Woodstock, Augusto Bombeiro, Rebelo Palitó, Fernandel, Piranha, Pilequinhas, Chicoárolha, Mi Titão, Odete Estica, Tóquinhas, Pinguim, Pingalim, Popov, Carlos da Leiteira, Cara de Apito, Menino Élinho, Menino Ni (ou Niganan), Crespa, Marinho Marócas, Criolina, Branca de Neve, Terra à Vista, Berinjela, 21, Montanelas, 110, Metropolitano, Caguiné, Moedinha, João Pé Leve, Espia Feia, Bezelina, Kid Aromas, Kit, Bexigas, Frank Monka, Cheira a Merda, Tio Mino, Tio Kiki, Chinoca, Capitão Porão, Tita dos Pés Sujos, Zé Preto, Hércules, Pé de Pato, Zé Papeira (Lista em actualização permanente).

09
Dez17

2ª Temporada - O Terceiro "F"


Comandante Guélas

 

Zé Borrego.jpg

 

 

Episódio 4

 

 

Na altura da desinfestação vermelha da vila de Paço de Arcos, que obrigou o Bill a um internamento num campo de reeducação em Porto Salvo, dirigido pela mãe da Anita Carapita Sardinha Frita, irmã da Batata e do Quim Zé, que passava os dias a tremer por causa da quantidade de magalas que a filha diariamente aviava, o Querido Líder procurava desesperadamente pelo Terceiro “F”, tendo sido decidido dar uma oportunidade às minorias:

- Desta vez escolhemos um entre os paçoarcoenses que tremem, - decidiu a Dra. Quitéria Barbuda, a ideóloga do novo regime.

- Paço de Arcos irá ser pioneira no multiculturalismo! – Decretou o Craveiro Lopes.

Mas surgiu um problema!

- A lista dos “tremedores” não tem fim, nos primeiros segundos dos sensos registámos o Zé Taranta, o Terre – Tete, o Espanhol da Rampa, a mãe da Anita, o adolescente Bill, que treme quando joga futebol, por este andar será mais de metade da vila, - Queixou-se o Pingalim.

- E lá se vai a minoria! – Indignou-se o Pinguim.

Paço de Arcos era uma vila difícil, o Comandante Guélas tinha consciência de que o seu reinado iria ser muito complicado.

- O Frederico dos Jornais também treme!

Estava encontrada a solução, o Terceiro “F” vinha da comunicação social, profissão que iria mais tarde ser abraçada pelo Bill, quando fez a primeira grande reportagem ao serviço da “ANOP”, o primeiro, de muitos incêndios da Novembal, onde uns anos mais tarde iriam estagiar o Peidão, o Milhas, o Quicas e o Álhi.

- Para podermos ir passar férias ao Algarve na casa do pai do Bajoulo temos de ir trabalhar nas férias grandes, - aconselhou o mano mais velho do Janeca, que costumava dizer que a qualidade genética da sua família tinha sido interrompida quando nascera.

Foi no início de um mês de julho de um verão muito quente que os três pioneiros da Juventude Guéliana se apresentaram ao trabalho, picando o ponto à entrada. O Milhas e o Peidão entraram no pavilhão, enquanto o Quicas saiu pelo portão dos fundos e foi trabalhar para o bronze. No final do dia faria o trajeto inverso, picava de novo o ponto, e ia para casa descansar no dia árduo de trabalho. E foi assim o mês inteiro, até lhe pagarem o primeiro e único ordenado, altura em que se despediu. Dentro das instalações os outros jovens punham caixotes de Skipe na ponta de um tapete rolante, e o Álhi recolhia-os no outro extremo, para os empilhar. Mas o jogo era injusto, dois contra um! Puseram tantos em tão pouco tempo, que o outro acabou por colapsar, levando ao primeiro incidente laboral, que obrigou à interrupção daquela linha de produção, o equivalente à greve na Autoeuropa nos dias de hoje. O capataz interveio e deslocou os jovens para a construção civil, a sete metros de altura, e na ponta da fábrica, junto ao portão de saída do Quicas. Como o muro era duplo, com caleira no meio, os jovens adormeceram ao som dos passos do superior hierárquico que jurava que os tinha deixado ali.

Enquanto isso um inspector da Judite vasculhava a pedreira junto à linha, à procura de vestígios do Borrego, que acabara de largar o último saco de plástico com uma parte do Sanduga, o paçoarcoense que cortara às postas numa das barracas vizinhas do chalé da família do Ratinho Blanco, na ribeira que desaguava na Praia Velha:

- A água vai-te tirar essa mania de gostares de pegar de empurrão!

O Zé viera diretamente das serras da Beira Baixa para Lisboa, depois da Virgem Maria lhe ter dito ao ouvido que teria de ir à capital salvar os paneleiros do vício, cortando-os aos bocados, embalando-os, e atirando as peças para dentro de água, onde Ela os purificaria. Por isso aviou vários, o último dos quais na vila encantada da Costa do Estoril. O Maneleiro ainda se cruzou com ele junto ao Manuel da Leitaria, mas quis o destino que na noite anterior tivesse brincado aos índios com um negão, por isso estava com eles vazios, e com o ganha pão cheio do ranho da cobra do amigo. No Severino Seco o Borrego chocou com a Espirro de Punheta, a miúda mais enfezada da vila, que ia com uma amiga, e ambas deixaram cair os frangos assados que levavam nas mãos:

- Desculpem meninas, ia distraído. – Olhou fixamente para a gordinha, e disse, - estuda muito, um dia ainda hás-de pertencer ao governo.

Apercebeu-se que a zona estava repleta de malucos (Balatuca, Bizóito, Baiona, Búzio, Bolinhas, Ánhuca, Barlatotas, Alvarinho, Labumba, Marques Capitão, General Bidon, James Bomba, Octanas, Pinga Azeite, Menino Artur, Alfredo Carinhas, Ferramenta, Pitinha, Manel Ceguinho, Chora na Penca, Calhéu, Fritz Moca, Vítor Enfraquecido, Piquinhas, Boca Negra, Balacó, e muitos outros que a vila nunca irá esquecer), o equivalente à praga de zombies dos tempos atuais, e descuidou-se! O Craveiro Lopes costumava pescar na zona, e quando pediu à vizinha da Terrugem para cozinhar o peito de pato que encontrara dentro de um saco de plástico na zona da ribeira onde costumava aliviar-se e lavar o cagueiro, aquela achou estranho o bicho ter mais pelos nas costas do que penas, e chamou o Chefe Bigodes.

 

01
Dez17

2ª Temporada - O Segundo "F"


Comandante Guélas

Ratinho coronel 1.jpg

 

 

Episódio 3

 

Com o fim do conflito que opôs o Norte burguês e popular de Paço de Arcos ao Sul comunista, que culminou com a anexação da parte de baixo da linha pelo Querido Líder da Terrugem de Cima, o glorioso Comandante Guélas, seguida da declaração de independência da vila em relação a Portugal, cujo Conselho da Revolução por medo de ver o resto anexado não se opôs, o quotidiano alterou-se radicalmente. A ideologia vermelha que se espalhara como óleo velho sobre as almas dos mais frágeis, escorria agora para a sargeta. E como há sempre um babyboom após cada revolução, o Ratinho Blanco engravidou uma moça e teve de justificar-se ao pai dela:

- O que é que fazias antes de conheceres a minha filha?

- Batia à punheta a olhar para as Ginas! – Respondeu a seco o agora Presidente dos Paçoarcoenses Destituídos de Afetos, cuja claridade das cuecas tinha sempre por debaixo a escuridão, e que mostrava um infatigável interesse por tudo o que tinha a ver com o “Guélanismo”.

Este eterno estudante mostrou que a inutilidade era a vertigem mais admirável do grande saber, por isso foi eleito como um dos grandes vultos da cultura paçoarcoense, a cultura que servia para viver, para tornar a vila maior. Portugal tinha a poeta Sophia, casada com o Tareco Bebedolas, e mãe do MiKe Cevada, Paço de Arcos exibia o Ratinho Blanco, noivo da Carlota Mello, e pai do futuro Bota Abaixo.

- És um anjo caído do céu, - disse-lhe o sogro.  

- Esteja descansado senhor Bernardo Mello, que eu tenho um projecto viável para a nossa relação, vamo-nos matricular no Professor Coelho. A minha área forte é a abstracção, que se acentua no final do quinto meio-gordo branco.

O Capitão Porão continuava inconstante, insistia em ter no seu apartamento um quadro com a sua fotografia e a do Fidel de Castro, tipo noivos, e convidar a rapaziada do Aries para sua casa, onde lhes mostrava os filmes que tinha feito em Cabinda com o seu pelotão de pretos. Mas nunca lhes contou o que acontecera naquela noite escura que lhe alterara para sempre os apetites libidinosos. Quando se preparava para comer uma deliciosa beringela, ao som de uma velha chaleira a bufar em lume forte, distraiu-se e atirou com o frasco do “Locker Room”, com que limpava o couro das botas, ao chão, despedaçando-o e espalhando pelo chão o nitrito volátil. Cinco minutos depois o vegetal estava a entrar-lhe pela cave, e gostou! Para alterar este estado de mariquices, intolerável para a jovem nação, o Querido Líder pôs em marcha a “Operação Martelo” para mostrar ao comunas o novo “tesão paçoarcoense, genuíno e não de mijo”! Após o fim da comissão de serviço nas tropas especiais dos Pára-quedistas, onde foi ajudante de cozinha, o Conan Vargas fez uma entrada de leão em Paço de Arcos, tentando assim impressionar todas as fêmeas que tivessem a sorte de se cruzar com ele. E impressionou o Comandante Guélas, que o inscreveu no Campeonato de Boxe da Décima Divisão, juntamente com uma lenda viva, o Focas das Docas! Aos amigos foi dada a missão de o prepararem para o embate montando um ringue. O primeiro a enfrentá-lo foi o Graise. Em cima de um escadote o árbitro Chico Sá deu o sinal para o primeiro “round”, através do som estridente de um despertador. Os conhecimentos de Box do Conan não passavam de abanões malandros da cabeça, e dum jogo apaneleirado de pernas, e quando reclamou com o árbitro pela atitude anti desportiva do adversário, que não conseguia parar de rir, levou dois diretos e três ganchos, todos a seco. E o adversário mudou, não tinha direito a descanso. Quando o apito tocou,  o Chico Sá enfiou-lhe a mesma dose que o mano, dois diretos e três ganchos, mas com uma pequena variante, os últimos foram todos molhados. E nem teve tempo para abanar o capacete.

- Querido Líder, o atleta Conan Vargas está pronto, não dá mais!

Noutro canto da vila de Paço de Arcos o Focas das Docas treinava afincadamente em todas as discotecas do distrito, quando no “Finalmente”, enfiou com um adversário por uma montra adentro, onde ficou a contar passarinhos.

- Querido Líder o Focas das Docas está apto para glorificar o teu país!

Foi numa noite fria e chuvosa que os dois paçoarcoenses subiram ao ringue em Talaíde com uma claque numerosa numa sala apertada. O Focas aviou todos os que se atravessaram no seu caminho, incluindo o porteiro preto e levou a taça para o Comandante Guélas, mas acima de tudo o segundo “F” (de Focas). Quanto ao Conan resolveu abanar o capacete e comeu inúmeros secos e molhados, até ser raptado pelos amigos, que o levaram diretamente para casa. Na manhã seguinte lá apareceu no café e quando estava suficientemente rodeado de fêmeas, presenteou-as com o filme de uma formidável noite em que conseguiu vencer todos os concorrentes por K.O. Foi no dia seguinte contactado, em segredo, pelo Titó, que lhe prometeu um futuro na modalidade que estava a inventar, jogada com frigideiras, bolas de ténis e uma rede.

 

 

 

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