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República Independente do Alto de Paço de Arcos

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

República Independente do Alto de Paço de Arcos

24
Fev19

3ª Temporada - Capitalismo Paçoarcoense


Comandante Guélas

 

Mocho Pingalim Charlot.jpg

 

24 

- O Francisco Barlatotas encontrou o filho do marquês!

A notícia do “achamento” do Pierre Pomme-de-Terre no Peru caiu como um milagre na vila de Paço de Arcos, terra do Comandante Guélas, o Querido Líder.

- Está no Peru, e é Diretor-Geral da Pinetree Group!

Um orgulho, mais um Património Imaterial Paçoarcoense tinha sido localizado e estava agora disponível no Facebook. Afinal a licenciatura em engenharia não tinha sido comprada no Brasil, como confidenciara uns anos antes ao Focas, mas sim fruto de um estudo árduo no Instituto Superior Técnico. Porque todos os paçoarcoenses eram feitos de substâncias químicas, a sua tentativa de uniformização pelo Bill revelou-se um desastre, por isso o Comandante Guélas ao aperceber-se da diversidade e mutabilidade dos habitantes conquistou a vila, reciclou os comunas e declarou a independência. Os paçoarcoenses modelos eram aqueles que nunca poderiam ser decompostos noutros mais simples. O Pierre Pomme-de-Terre era o vértice da pirâmide do empreendedorismo da gloriosa vila de Paço de Arcos: O Restaurante O Tino; a oficina do Cabrita; a Maria das Bicicletas; a Laura da Praça; a Blandina dos Jornais; o Manel da Dany; o Freitas da Minhoca; o Manelinho do Estrume; os barbeiros João Balão, António Balão, Inácio, Bandeira; Florêncio; John Lena; o Joaquim do Café Bachil, onde o Manel Carteiro nas horas vagas aliviava os recrutas que iam apanhar o comboio; o Miguel Padeiro, um bexigoso com uma Honda 750 transformada em “Easy Rider”; o restaurante "O Pombalino" do Alfredo e do Chinês; os “3 Porquinhos”, a Zona Vermelha da vila, no Jota Pimenta; as papelarias do senhor Silveira e do Inácio das bombas de Carnaval; a drogaria da preta; o Silvério e o Hércules com o seu negócio sazonal, a sua banca de lima (bolas de cera com água dentro), a 5 tostões cada; o Manuel Escangalhado da leitaria; o Cara Alegre da “Oceânia”; o Joaquim e o Jorge da “Iolanda”, que serviam sempre um “leitinho” à Dona Quitéria Barbuda numa garrafa de Sumol, com uma palhinha; o Braz da farmácia, que parou o seu BMW na marginal para “ajudar menina aqui sozinha”, que afinal era o Choné com um casaco preto a fazer de saia e a cabeleira da mãe, que tinha os amigos escondidos prontos para fazerem uma emboscada, mas que desta vez não saíram do local porque reconheceram o carro, deixando a pobre “menina” entregue aos fetiches libidinosos do farmacêutico, que prometia levar o Choné às nuvens, mesmo depois de ele ter tirado a cabeleira e chamar-lhe “paneleiro”, tendo o Braz ameaçado que iria fazer queixa à progenitora; o sapateiro 7 Solas; o Joaquim da Lisboa Comercial; o Severino Seco; o gasolineiro Manuel António; a drogaria do António, onde o senhor Peidão, o maior bombista da terra, se abastecia de Litopone e Ácido Muriático; o Bar Marginalíssimo do Tolas e do Jeremias; a Papelaria do Manuel Ante, que se chamava “Campos Pereira”; o sapateiro Carlos Ribeiro, da Banda Popular “Carlos Ribeiro mais 4”; a Fateca; a Sapataria Coutinho, “ó senhor Coutinho queria aquele sapato dos Baptistas, sff” (“venho descalço e vou lindinho”); a Casa João que “vende meias e botão”; Taberna O Papagaio, que deu à vila 2 formosos poetas, Pinguim e Pingalim; o Animatógrafo do Lúcifer; a Casa Chico; a Leitaria Vitória que, como era tradição em todos os estabelecimentos deste ramo, vendiam meio-gordo à taça; Leitaria Marginal; Marmelada; Casa Mário e Casa Adelina; e a fechar, o célebre Café Picadilli, que deu à vila o seu futuro e o Pica. Em todos estes estabelecimentos comerciais, o famoso Pierre Pomme-de-Terre deixou calotes, por isso de cada vez que se desloca às origens, fá-lo de noite, porque metade da vila continua ainda a querer enforca-lo!    

 

15
Fev19

3ª Temporada - O Senhor Xantola


Comandante Guélas

 

Santola.jpg

 

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Após a conquista da vila de Paço de Arcos, o Comandante Guélas, o Querido Líder, declarou o liberalismo como a política económica oficial do país, e logo apareceram na linha da frente os melhores empresários de todos os tempos, que iriam revolucionar o estilo de negócios da Costa do Estoril: Manuel da Leitaria, Papagaio, Maria das Bicicletas, Cabrita, Pierre Pomme-de-Terre, e tantos outros que nunca se perderão nas memórias do tempo.

- Esta ainda há-de ser a casa mais afamada de Paço de Arcos, – prometeu o senhor Xantola, ajeitando as patas do caranguejo grande, pescado junto à saída do esgoto do “Chalé da Merda”, o Centro Cultural, e comprado livre de impostos, como era e continua a ser tradição nos restaurantes da zona.

- É para lhes dar um ar sensual, – explicou o Xantola ao atento Focas. – Assim, o cliente fica com água na boca e entra, tendo direito a ser atendido pela minha filha Tita-dos-Pés-Sujos, sob visão atenta do seu noivo Bajoulo, que está ali na mesa das imperiais desde ontem à noite. Vai dar um genro de peso!

- O marketing é perfeito, o senhor irá com toda a certeza roubar a clientela ao seu primo galego. O Bajolinho é uma jóia, é um descanso para qualquer pai, – disse o Focas, atirando de mansinho uma santolinha para o aquário dos peixes.

Mas como os exames estavam perto, o estudante Focas despediu-se do senhor Xantola e foi para casa fazer o exame nacional, roubado uns dias antes e agora na posse de todos os estudantes de Paço de Arcos. Só saiu depois do jantar, para se juntar ao grupo de amigos que o esperava no “Áries”, o Centro Comercial junto à estação, onde também se situava o novo restaurante que pretendia fazer sombra ao velho e famoso restaurante “Os Arcos”. A noite iria ser longa, aproximava-se uma “direta”, no dia seguinte um grupo partiria em direção a Chaves, para desceram o rio Tâmega até Amarante. Só o motorista, tinha recolhido aos aposentos, excitado com a aventura em que se ia meter, não a de descer o rio, mas sim pelo facto de ir passar uma semana com um grupo de adolescentes tenrinhos. Quando a torre da igreja deu as badaladas da meia-noite, o Focas juntou-se aos amigos. Pelas duas da madrugada começou a retirar da parede um cartaz que anunciava a vinda dos “Tubes” a Cascais, e embrenhou-se nas catacumbas do espaço comercial. Apareceu dez minutos depois com algo embrulhado no papel. Parecia um bolo, um tronco de chocolate. Chocolate?! Chocolate não era, mas sim o conteúdo intestinal do velho Focas, o maior cagador de Paço de Arcos e arredores.

- E agora, o que é que faço a isto?

Os amigos recuaram e veio-lhes à memória as férias passadas em Sagres e aquele dia em que o Focas tivera uma dor de barriga e resolvera a questão abrindo uma cova à beira-mar, ao mesmo tempo que assistia a uma partida de “beach-ténis” entre dois turistas. Tentaram atacá-lo durante o ato fisiológico, mas quando estavam a um metro do cagador ele voltou-se repentinamente, agarrou no cagalhão e atirou-o. Felizmente nessa noite não estava nos planos desperdiçar tão formosa escultura. Resolveu espalhá-la pelos vidros do restaurante do senhor Xantola e tapar-lhe as fechaduras. O cartaz dos “Tubes” também ficou colado! Até às dez da manhã o material secaria e o proprietário, mais a sua bela filha, a Tita-dos-Pés-Sujos, iriam ter uma surpresa, e das grandes. Mas a festa não ficou por aqui! As frinchas entre os vidros não estavam tapadas e houve um concurso de escarretas, cujo objectivo era decorar as carapaças das Santolas cozidas que ocupavam a montra. Até com mijas participaram!

No dia seguinte estavam longe, muito longe, e com toda a certeza que as culpas iriam cair direitinhas no já célebre Cocciolo. 

 

 

       

 

09
Fev19

3ª Temporada - O Primo do João da Quinta


Comandante Guélas

Primo.jpg

 

22

O João da Quinta tinha um primo com menos habilitações académicas, ou seja, nunca fora à Escola. E para agravar a situação, era surdo-mudo. À conta destas deficiências todas era o único a passar a ponte sobre o Tejo com o “peidociclo”, e de borla, porque quando a funcionária o tentava informar de que as motas de cinquenta centímetros cúbicos eram proibidas naquele local, a cabeça do primo inchava de raiva, ficando vincada na testa a placa que lhe tinham posto após o último desastre, em que marrara contra uma árvore depois de ter descido um barranco com a sua Zundapp. Para se safar daquele bajoulo vestido de preto a cheirar a estrume, mesmo depois dos ventos da ponte lhe terem feito uma limpeza a seco, abriam-lhe a cancela e ele lá ia à sua vida. Por isso para este surdo-mudo de um só neurónio não havia barreiras para o seu “peidociclo”. E como era um homem livre às vezes aparecia de surpresa na casa do João da Quinta e abancava durante algum tempo. Não dava muita despesa, porque água nem para beber e se fosse preciso dormia aconchegado com as ovelhas. Quando aparecia significava que estava de boas relações com a sua Zundapp 50, porque quando ela resolvia não pegar atirava-a por um barranco e lá ficava durante uns dias, até as saudades apertarem e o mecânico lhe explicar que sem gasolina a sua querida não funcionava. Durante a estadia na quinta onde a família do primo vivia e trabalhava, tinha uma casa-de-banho particular: o terreno baldio junto à casa onde vivia o adolescente mais responsável da zona, o menino Peidão, que assistiu, impávido e sereno, a este ritual do primo do seu amigo, que nem para cagar tirava o chapéu. Parecia um urubu, todo vestido de preto. A sorte do primo, surdo-mudo e com um só neurónio, do João da Quinta, mudou na altura em que o Peidão ganhou uma espingarda “porção-de-ar” Diana 38, tornando-se um snipper. Logo na primeira “chumbada” saltou o chapéu do cagador, que ia caindo, com o impacto, para cima do produto, pois tentara agarrar o penico que estava na cabeça e que fugira, vá-se lá saber porquê. Ajeitou-se e voltou à posição de cócoras, sinal de que ainda tinha a tripa com favas. Na segunda chumbada desequilibrou-se e desceu o morro com as calças arreadas, desaparecendo no meio das alcachofras. O Peidão empoleirou-se na varanda mas não o viu. O tiro parecia ter sido fatal. Quando o adolescente se preparava para guardar a “Diana 38” viu um vulto a erguer-se furioso com o fato pintado de picos, chapéu na cabeça e a gesticular, correndo em direção à quinta. Nunca mais usou o exterior da quinta para largar os feijões, tendo optado pelo conforto e segurança do cercado das ovelhas. Até ao dia em que não ouviu o rápido para Cascais, e o João passou momentaneamente a ter dois primos surdos mudos de um só neurónio.

 

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