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República Independente do Alto de Paço de Arcos

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

República Independente do Alto de Paço de Arcos

06
Jul19

3ª Temporada - General Bidon


Comandante Guélas

General Bidon.jpg

 

28

- Não jogo mais, as luvas estão cheias de minhocas, - gritou o Espalha abandonando o campo após sofrer o décimo segundo golo, lembrando-se do único jogador estático do Futebol PA, o saudoso General Bidon, um atleta consagrado que justificava a atitude dizendo “o que interessa é a colocação no terreno”.

Em 20 de maio de 1498 o navegador paçoarcoense Aurora chegou a Calecute a bordo da nau “Carapau Cociolo”, estabelecendo a Rota dos Ratos que os trouxe para a vila e os fez ser a classe dominante. Na burguesia paçoarcoense, da qual provinha o Comandante Guélas, a igualdade das mulheres pretendida pelos social fascistas liderados pelo Titó, um comunista derrotado na revolução do 28 de maio de 1974, foi um assunto encerrado logo após a conquista do sul da vila: as comunas foram obrigadas a rapar os pelos, a tomar banho e a pôr desodorizante:

- Acabou o cheiro a merda nas fêmeas paçoarcoenses, - declarou a famosa ideóloga do Querido Líder, a matemática e filósofa Dra. Quitéria Barbuda, uma libertária, no sétimo dia após a unificação de Paço de Arcos. – Quem quiser continuar com vastas pintelheiras a cheirar a mijo, só pode ser esposa do Ratinho Blanco, o maior trombeiro nacional.

- E as unhas dos pés? – Perguntou o Bill com o punho no ar, mostrando ainda tiques social fascistas, querendo com esta atitude denunciar a famosa namorada do Bajoulo, a Tita dos Pés Sujos, filha do empresário monárquico conde Xantola que, quando inaugurou o restaurante no “Áries”, prometeu torna-lo na casa “mais famosa de Paço de Arcos”, e por isso contratou o fadista Focas para disparar com paixão uma salva de vinte e um flatos psicadélicos.

E tinha razão! As suas lagostas ostentavam sempre grafittis surrealistas, arte urbana, langonhas amarelas extraídas do fundo da juventude, lançadas com amor pelos amigos anacrónicos do Focas, queques pseudo-desenquadrados do norte da vila, nas noites quentes de verão, disparados pelas frinchas dos vidros. O Comandante Guélas tornara-se um homem perfeito, assim como o seu regime!

Mas voltemos ao presente. O Espalha deixou cair uma lágrima quando o Pontas informou a vila que o General Bidon, herói da guerra de sucessão paçoarcoense, tinha dado o último grito do Epiranga, “independência ou morte”, e morrera. Uns dias antes quem se encontrava perto dele estranhou, os seus olhos estavam diferentes, até os óculos pareciam desbotados, o olhar já não era meticuloso, estava desleixado, enquanto que o dedo médio da mão direita, que apontava com frequência para o teclado do telemóvel, estava murcho. E gaguejava! Mas o primeiro sinal de inquietação dos amigos foi o grandiloquente devaneio teórico, acompanhado de salamaleques, que os informou que apoiava o Comandante Guélas na guerra contra a Comuna do Bill, extinta há mais de 46 anos. Mas o anticlimax de timbre dantesco aconteceu quando um som intenso saiu pelas calças e causou uma tensão dramática entre aqueles que compunham a mesa, e o General Bidon gritou com escárnio, em tom de desafio. Só parou nas urgências do hospital! O Espalha estava inconsolável com a perda, lembrava-se dos tempos em que o amigo estudava com afinco na Faculdade de Medicina, via-o todos os dias no comboio para lisboa com a pastinha de executivo, que ele imaginava carregadinha de calhamaços, até ao dia em que se abriu e caiu uma laranja e o jornal “A Bola”. Eram quatro irmãos com mais de 100 kg, o Paivão, o Paivinha, o Toy e a Paivona. A menina após um festival de danças na Ginástica Rítmica do Clube Desportivo de Paço de Arcos, onde dançou ao som da banda sonora do Fernão Capelo Gaivota, passou a ser conhecida como o Bacalhoeiro. O Espalha chorou!   

 

 

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