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República Independente do Alto de Paço de Arcos

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

Toda a zona ocidental da Península Ibérica está ocupada pelos portugueses…toda? Não! Uma vila habitada por irredutíveis paçoarcoenses conseguiu a sua independência 19 meses depois do 25 de abril de 1974!

República Independente do Alto de Paço de Arcos

29
Abr20

4ª Temporada - Mister Bill (7)


Comandante Guélas

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João Gordo.jpg

 

 

7

Quando o Bill apareceu na porta do Aeroporto Internacional Quitéria Barbuda, acompanhado pelas estrelas do Clube de Hóquei de Wuhan, e assessorado pelo Zé Pracana, já sabia que a comunicação social o esperava em massa para ouvir as novidades:

- Acabei de chegar de Macau e trago-vos uma novidade, consigo curar qualquer doença!

- A mim curou-me uma hepatita, - interrompeu o Balatuca, capitão do Iraocusaicaro.

- E a este leitão, - e apontou para o gordo, - curei-lhe uma úrsula.

- E o espigadote, teve alguma maleza? - Questionou o jornalista Clarke Kent da TVI.

- Uma "hepatita azar", e curei-a com água envenenada pelo esgoto do Manelinho, e com carne das vacas loucas.

- Mister Bill, tiveram a estagiar na Tunísia?

- Correto!

- E o que é que viu no subsolo?

Houve uma hesitação momentânea, logo superada após uma indicação do assessor, que segredou:

- Azeite!

- Última questão, o que é que apetece fazer em primeiro lugar, agora que regressa à pátria paçoarcoenses com os três magníficos?

- Montar!

Mas o Bill só montava no Guincho.  Por isso quando chegou ao café “Iolanda”, que vendia meio-gordo dentro de uma garrafa de sumol com palhinha à Quitéria Barbuda, perguntou:

- Quem é que quer ir montar?

Braços no ar.

- Mas tu já alguma vez andaste a cavalo? – Perguntou o  Peidão, ao Chinoca.

- Eu tenho uma “Maxi Push”.

No Renault 5 que o fora buscar estava um amigo misterioso do Bill com chibata, botas de montar e cara de mau.

- Eles podem vir connosco?

A excursão rumou para a Aldeia da Areia, onde seriam alugados os animais. Quando os bichinhos foram entregues o Chinoca quase que saiu à carga, porque pensava que “Cavalo” e “Peidociclo” era tudo da mesma família, e por isso acelerou a fundo.

- Têm a certeza que o vosso amigo sabe andar de cavalo? – Perguntou o dono do picadeiro ao ver que o rapaz com cara de oriental não tinha qualquer vestígio de técnica de acompanhamento do trote, indo por isso a bater violentamente com o traseiro na sela e a enredar as rédeas nas pernas.

- Ele está habituado a montar as éguas em pêlo, - explicou o amigo Bill.

O jovem com cara de mau tomou a dianteira passando com um ar de desprezo por todos. A sorte devia-se ao facto de os cavalos estarem habituados a andar uns atrás dos outros e assim o do Chinoca teria poucas hipóteses de fugir. Atravessaram a rua e embrenharam-se nas dunas. Alguns metros mais adiante tiveram de reduzir para passo, pois era necessário poupar o rabo do chinês. Mas aconteceu o primeiro dos “previstos”, quando um ramo baixo lhes apareceu pela frente. Todos puxaram pela rédea esquerda e contornaram o arbusto, excepto o Xinoca que seguiu em frente e chocou contra o obstáculo. Passou o bicho e quase ia ficando o cavaleiro, caso não se tivesse deitado sobre a cabecinha do animal, folgando as rédeas e soltando os chinelos de quarto dos estribos. Ainda houve tempo para apostas, ganhando a opção “queda”. Valeu o sangue frio do cara de mau que encostou a sua montada e segurou o animal. Pausa, o chinês estava mais inclinado do que a Torre de Pisa, e à medida que ia descaindo puxava as rédeas, arriscando-se a sentar o alazão no colo. Quando o líder o informou dessa hipótese, tirou as mãos e caiu na areia fofinha. Pôs-se logo ali uma dúvida: como é que ele iria montar, uma vez que não havia a escada do picadeiro? Veio-lhe à memória o paçoarcoense da Quinta Divisão e da falta que ele lhe fazia naquele momento. Caso fosse um dos presentes, mandá-lo-ia agachar, como já era costume. Depois bastaria saltar-lhe para a espinha e montar. Mas a realidade era outra! O Chinoca teria de se desenrascar, nenhum dos presentes queria fazer de militar de abril. Foi o que fez, meteu o bichano na parte baixa de uma duna e saltou-lhe para cima. Como o tempo já estava a escassear, foi necessário recorrer ao galope, porque senão nunca chegariam à Praia Grande. Ao chegarem ao Guincho cada um escolheu o seu ritmo e, de uma maneira geral, a carga foi a velocidade que imperou. Quanto ao Chinoca, optou por parar, largar o volante, enrolar um cigarrinho, ao mesmo tempo que dava folga ao rabo. Só que este tipo de cenas não eram as mais aconselháveis no momento, porque o animal cheirou o chão deitou-se de imediato, atirando o adolescente com cara de oriental de pantanas, tendo no entanto ainda conseguido dar a última “passa” antes de aterrar. O cara de mau, que estava na outra ponta da praia, nem queria acreditar no que via. O cavalo do Chinoca parecia um cão a coçar-se no chão e quando a festa acabasse de certeza que iria a Cascais tomar um copo. E quem tinha deixado o Bilhete de Identidade, aliás o único a levá-lo, tinha sido ele, como prova que eram todos “bons montadores”. E o seu Renault 5 não valia nem metade de um burro sarnento, quanto mais um cavalo inteiro. Ficaria de certeza a lavar cavalariças o resto do ano e estragaria as suas botinhas com brilhantina. Meteu “prego a fundo” e conseguiu chegar a tempo. Quanto ao Chinoca, queria era regressar a pé, alegando já ter o traseiro em chamas e não querer ser confundido com algum revolucionário tresmalhado. Conseguiram convencê-lo a dormir nessa noite de barriga para baixo, para que as marcas no mealheiro desaparecessem. A partir dessa data o Rui, nome próprio do cara de mau, optou ir sempre pelo picadeiro e longe dos meninos de Paço de Arcos.

 

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